Por Paulo Sá
Em carta oficial à Presidência da República, Donald Trump chama o julgamento de Bolsonaro de “caça às bruxas”, denuncia censura no Brasil e anuncia retaliação comercial inédita contra o país. A partir de 1º de agosto, qualquer produto brasileiro pagará tarifa extra de 50% para entrar nos EUA.
A decisão pode afundar setores inteiros da economia e reposicionar o Brasil como um pária comercial global.
Isso mostra por que bons negociadores precisam entender o jogo político global — e se antecipar.
Quando a negociação deixa a mesa e vai parar no cenário geopolítico: quem não lê o jogo, paga caro.
Trump acaba de impor 50% de tarifa contra produtos brasileiros e acusa o governo Lula e o STF de minar a democracia e a liberdade de expressão.
Essa decisão não tem nada a ver com preço — tem a ver com posicionamento, influência e estratégia de poder.
Se você negocia, mas não entende o contexto global, você não negocia — você só reage.
Negociador que não lê política, vira peão. Quem lê, vira rei.
Esse episódio ilustra com clareza por que um bom negociador precisa estar atento aos movimentos do tabuleiro global.
A imposição de tarifas dos EUA ao Brasil por razões políticas e institucionais, mostra que:
1. Negociação não é só sobre preço — é sobre contexto.
O Brasil pode ter o melhor preço em commodities, mas se não há confiança institucional, o comércio desmorona.
2. A leitura geopolítica é parte essencial da estratégia.
Um negociador estratégico precisa entender que um embate STF x liberdade de expressão pode virar um problema comercial dias depois.
3. As relações são construídas com credibilidade, não imposição.
Um país (ou negociador) que ignora a reciprocidade e o respeito mútuo, invariavelmente enfrentará retaliação.
4. Influência e presença são chaves.
Se você, como negociador, sabe quem está influenciando quem, e onde o poder está sendo redistribuído, você antecipa o jogo e não reage depois da perda.
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Para o Brasil, este é um sinal de alerta: a política interna autoritária e centralizadora afeta o comércio exterior, os investimentos e a reputação global.
Para o negociador inteligente, é hora de:
• Reposicionar sua atuação de forma globalizada.
• Estudar relações internacionais e comércio com lastro político.
• Ser um agente ativo de mediação e diplomacia econômica, antecipando cenários.
Análise Geopolítica e Macroeconômica
Curto Prazo (0 a 6 meses):
• Impacto imediato nas exportações brasileiras: um aumento de 50% em tarifas para entrada de produtos brasileiros nos EUA afeta diretamente setores como agronegócio, carnes, aço, celulose, café e têxteis.
• Reação dos mercados financeiros: queda nas bolsas brasileiras, fuga de capital estrangeiro, aumento do dólar e pressões inflacionárias.
• Instabilidade política interna: a acusação de interferência do STF na liberdade de expressão e a judicialização da política pode ser usada internacionalmente como argumento contra o Brasil em fóruns de comércio e diplomacia.
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Médio Prazo (6 meses a 2 anos):
• Redução do superávit comercial com os EUA, afetando diretamente o PIB brasileiro e o desempenho da balança comercial.
• Aumento de tensões diplomáticas com países aliados aos EUA ou influenciados diretamente pela política externa americana.
• Revisão de contratos internacionais e perda de competitividade em concorrências globais.
• Aumento de custos operacionais para empresas brasileiras que dependem do mercado americano.
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Longo Prazo (2 a 10 anos):
• Isolamento econômico gradual, caso o Brasil mantenha políticas de censura digital e decisões judiciais contrárias ao livre mercado e às liberdades individuais.
• Perda de confiança como parceiro internacional, o que dificulta novos acordos bilaterais e a entrada em blocos comerciais.
• Dependência maior da China ou de novos blocos econômicos, o que pode gerar desequilíbrios geopolíticos e perda de autonomia nas negociações.
• Desindustrialização e enfraquecimento das cadeias de produção exportadora, especialmente em setores onde o Brasil tem vantagem competitiva, mas que dependem de acesso ao mercado norte-americano.
Cartas de Trump


Tradução Completa do Documento
A CASA BRANCA — WASHINGTON
9 de julho de 2025
A Sua Excelência
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil
Brasília
Prezado Sr. Presidente:
Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o respeitei profundamente, assim como a maioria dos líderes mundiais. A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro — um líder altamente respeitado no mundo todo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!
Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e os direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (como ilustrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens secretas e ilegais de censura para plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas milionárias e expulsão do mercado brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil tarifa de 50% sobre qualquer produto brasileiro que entrar nos EUA — além de todas as tarifas setoriais já existentes. Produtos transbordados para burlar essa tarifa também estarão sujeitos à tarifa superior.
Além disso, tivemos anos de conversas sobre nosso relacionamento comercial com o Brasil, e concluímos que é preciso mudar a relação de comércio, que tem sido profundamente injusta, marcada por tarifas e barreiras não tarifárias impostas pelo Brasil. Nossa relação tem sido, infelizmente, longe de ser recíproca.
Por favor, entenda que esse percentual de 50% ainda é bem inferior ao necessário para nivelar o campo de jogo. É essencial corrigir as injustiças do regime atual. Como você sabe, nenhuma tarifa será cobrada se empresas americanas puderem construir ou fabricar seus produtos dentro do Brasil, e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para aprovar isso rapidamente — em semanas.
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Página 2
Se por qualquer razão o Brasil decidir aumentar suas tarifas, qualquer percentual que vocês acrescentem será somado aos 50% que cobramos. Entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os anos de desequilíbrio comercial causados por tarifas e barreiras brasileiras, que geraram déficits comerciais insustentáveis para os EUA. Esse déficit é uma ameaça à nossa economia e à nossa segurança nacional!
Adicionalmente, pelos ataques contínuos do Brasil às atividades de comércio digital de empresas americanas, e outras práticas desleais de comércio, estou instruindo o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 contra o Brasil.
Se o Brasil desejar abrir seus mercados atualmente fechados aos EUA e eliminar as tarifas e barreiras, podemos revisar essas tarifas. Elas podem ser aumentadas ou reduzidas, dependendo da evolução da relação com seu país. Você nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América.
Agradeço sua atenção ao assunto!
Com os melhores votos, sou,
Sinceramente,
Donald J. Trump
Presidente dos Estados Unidos da América
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Paulo Sá

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